quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Manifesto e Abaixo assinado em repúdio a avaliação em larga escala do desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos

Olá Pessoal!

O Movimento interfóruns de Educação Infantil do Brasil publicou um abaixo assinado em repúdio a avaliação em larga escala do desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos.  

Solicito a todos que asinem e divulguem o máximo possível!

 O link para assinar é: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=MIEIB11

Aproveito e divulgo  também o manifesto do Fórum Paulista de Educação Infantil em repúdio a esse tipo de avaliação. 

 Abraço!

 

Manifesto indignado do FPEI: Avaliar para que? E para quem?

O velho mundo morre enquanto o novo tarda a aparecer. No claro-escuro perfilam os monstros (Antonio Gramsci).


O Fórum Paulista de Educação Infantil traz seu manifesto indignado, contra as ondas de controle, ou melhor, a este verdadeiro tsunami que invade os territórios da educação das crianças pequenas, a avaliação em larga escala do desempenho das crianças de 0 até 6 anos de idade, por meio de testes, questionários, provas e quaisquer outros instrumentos, que não respeitem as crianças como produtoras de culturas infantis.
Ao lado dos bebês e das crianças, defendendo-as em seus direitos como produtoras de culturas, há diversos documentos, pesquisas e leis que abrangem as especificidades das infâncias. Desta forma, não podemos admitir que tais procedimentos avaliativos se instalem, ignorando e desconsiderando todo processo de concepção sobre Educação Infantil e avaliação presentes na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n. 9394/96), nas Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Infantil (Resolução CNE/CEB nº 05 de dezembro de 2009) e nos Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009).
Há, portanto, que considerar – ouvindo - os professores e professoras, pesquisadores e pesquisadoras, enfim os tantos profissionais da educação que, ao longo dos anos, têm aprendido com as crianças e não só sobre elas... aprendido com as crianças reais, em ambientes coletivos de educação. Esses ambientes sim, merecedores da avaliação detalhada de seus contextos organizativos de tempo, espaços, interações, formação docente, propostas pedagógicas, formas de registro do tempo, do espaço , enfim, das “condições dadas” para a produção das culturas infantis e formas de registro da experiência vivida, aprendida, transgredida, desaprendida, inventada, recriada, etc. Sempre uma avaliação da instituição e do projeto pedagógico, além da avaliação das políticas públicas (gestão, recursos financeiros, pedagógicos, etc.); jamais avaliação individual das crianças, que tem sido historicamente produtora de estigmas e de pressão contra as crianças e não de condições favoráveis à formação humana em suas múltiplas dimensões.
De outro lado, nossos estudos, pesquisas e trabalho pedagógico com as crianças pequenas nos mostram que a infância é uma construção histórica e social, o que torna impossível imaginar a proposição de um instrumento que quantifica, para avaliar as descobertas, as invenções, enfim as experiências das crianças.
Sendo assim, como não nos indignarmos diante da possibilidade de uma proposta de avaliação nacional que desconsidera a existência das diferentes infâncias e crianças e, em especial, o lugar de cada uma delas na estrutura da sociedade brasileira segundo a classe social, pertencimento racial e étnico, gênero e cultura, entre outras diferenças?
As meninas e meninos nos mostram e nos revelam que as diferentes e múltiplas dimensões humanas não são passíveis de serem retratadas ou aferidas, com dignidade, por testes ou avaliações pré-formulados, a partir de uma visão de um modelo de criança que verdadeiramente e felizmente, não existe.
Assim não é possível compactuar com a disseminação de mecanismos de avaliação que se circunscrevem à classificação das crianças, tendo por base categorias definidas a priori, que revelam um padrão esperado e idealizado do que as crianças devem ser em cada faixa etária. O objetivo fundante de tais instrumentos, que menosprezam as dimensões humanas em construção desde o nascimento, é basicamente avaliar se a resposta é certa ou errada, ou se o comportamento do bebê ou da criança corresponde às normas e as expectativas pré-determinadas. Tais modelos de avaliação, revestidos pela ótica falsamente objetiva e padronizada, apregoam a possibilidade e a crença de poder apreender a realidade com precisão. Crença esta, que só se sustenta na perspectiva da avaliação tradicional, balizada por duvidosos diagnósticos, descontextualizados e antidemocráticos, capazes de definir currículos homogeneizantes e práticas sem significado, moldando e reforçando comportamentos, tendo em vista sua adequação ao produto final esperado. Essa concepção etapista da educação infantil não cabe mais em lugar algum.
É nessa perspectiva que se instala nossa indignação. Afinal, não podemos retroceder e desconsiderar os avanços significativos que a educação da pequena infância vem construindo nas últimas décadas, com a inestimável e generosa participação das crianças, em relação à avaliação e aos processos de documentação pedagógica. Esses avanços já fundamentam inclusive as bases legais que sustentam a primeira etapa da educação básica, a Educação Infantil do país, como já sinalizado. Avanços que anunciam a possibilidade de pensar em propostas avaliativas que considerem as crianças reais, suas vozes, experiências, culturas e saberes, e ainda impulsionem a construção de uma educação da infância de qualidade e digna de todos os bebês e crianças deste país, cuja riqueza, inteligência, curiosidade e inventividade, não cabem em testes, questionários ou provas. Tais instrumentos que querem implantar são pequenos, são indignos da grandeza de nossas crianças.
Não estaremos jamais ao lado dos que querem aferir os conhecimentos dos bebês e das crianças pequenas com provas e teste e estaremos sempre em defesa da Pedagogia da Infância que aprende a cada dia os alcances da capacidade inventiva e transgressora das crianças pequenas. Não admitimos que uma avaliação que não serve para as crianças do ensino fundamental, por inúmeros motivos, dos quais destacamos hierarquizar escolas e restringir currículos à preparação para provas, seja estendida à Educação Infantil.

Link para a página do FPEI:  http://fpeicrianca.blogspot.com/

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Seminário Nacional "Educação Infantil e Igualdade Racial

Olá pessoal!
No dia  29 de novembro (terça-feira), das 8h30 às 18h00, no teatro do SESC Vila Mariana em São Paulo/SP (Rua Pelotas nº 141, Vl. Mariana) vai acontecer o Seminário Nacional "Educação Infantil e Igualdade Racial".

Segundo pesquisa da Prof. Maria Malta Campos sobre avaliação da qualidade nas instituições de Educação Infantil, um dos aspectos que recebeu nota mais baixa foi a discussão da temática racial. Nesse sentido, esse seminário  se faz urgente e a participação de todas e todos necessária.
Segue o folder com mais informações .
Abraço!

domingo, 6 de novembro de 2011

URGENTE: Avaliação em larga escala na Educação Infantil!


Olá pessoal!
Hoje lhes escrevo com uma grande preocupação referente à uma proposta de avaliação em larga escala do desenvolvimento e da  aprendizagem em crianças na educação infantil. Essa proposta tem sido discutida no Ministério de Planejamento Estratégico do governo federal e contraria todas os avanços que temos tido nos últimos anos na área.
No dia 04/11, o Fórum Paulista de Educação Infantil organizou uma mesa de debate para discutir o assunto, que contou com a presença do Prof. Luiz Carlos Freitas, da UNICAMP e da Prof. Letícia Nascimento da USP.
O Prof. Luis Carlos Freitas contextualizou essa proposta do ponto de visa social e econômico. Segundo o professor, o cenário brasileiro se alterou muito nos últimos 5 anos, uma vez que o Brasil foi escolhido por organismos internacionais como plataforma de investimento – juntamente com a Rússia, a Índia e a China. Isso significa que há um investimento internacional muito grande no país. Esse investimento, seguindo as lógicas do capital, precisa ser valorizado. Por isso, o investimento em infraestrutura (marcadas pelas obras do PAC) e em aumento de produtividade (o que tem ligação direta com a educação).
Nesse sentido, está havendo uma grande mudança de enfoque nas políticas públicas de educação e a educação infantil, tem sido a “bola da vez”.
Empresários querem disputar esse cenário educacional e vêm fazendo pressão nas secretarias e no Ministério da Educação. A indústria de consultorias em educação e de apostilas vêm nesse sentido. Assim como a indústria de testes.
Pela lógica do empresariado, o grande problema de educação pública é que ela é pública, e não privada. E que o modelo que deve ser adotado na Educação é o da organização empresarial. Crê-se que esse tipo de organização é um avanço, portanto é preciso seguir esses princípios: bônus para quem vai bem, demissão para quem vai mal.
Essas idéias vêm dos Estados Unidos, que vem implementando isso há mais de 15 anos. Na educação infantil, os reformadores empresariais, como denominou Luiz Carlos Freitas, vêm fazendo testes de larga escala nas crianças de 4 e 5 anos. Esses testes, voltados as questões da língua materna e matemática tem provocado uma formação extremamente escolarizadora da infância e provocado um estreitamento curricular muito grande. A arte e o lúdico, linguagens primordiais da infância estão sendo renegadas. Essas  são as conclusões de um recente relatório elaborado por pesquisadores americanos, cujo titulo é: “Crise nos Jardins da Infância: Porque as crianças precisam brincar na escola”., Segue o link para o relatório completo: http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=children%20need%20to%20play%20%2Breport&source=web&cd=6&ved=0CFIQFjAF&url=http%3A%2F%2Fwww.communityplaythings.com%2Fresources%2Farticles%2Fvalueofplay%2Fkindergarten_8-page_summary.pdf&ei=xoy2TuijDer10gHExrHRBw&usg=AFQjCNE413X_LvXQqIbwnPF7XfmtDda3HA&sig2=kjTvCLp3HbMzzBm6RrFZEA&cad=rja

Luiz Carlos Freitas nos alertou em sua palestra, que muitas escolas americanas estão sob controle de iniciativas privadas e que essas escolas não tem tido melhores resultados que as escolas públicas no PISA (avaliação de aprendizagem de escola internacional). Aliás, a posição americana no PISA não tem se alterado nos últimos 10 anos, embora as crianças tenham sido testadas sistematicamente. Pelo contrário, a pressão sofrida por essas crianças tem aumentado os casos de depressão infantil e a medicalização delas. O filme “Caminho para lugar nenhum” (em inglês Race to nowhere) aponta o efeito que essas testagens tem provocado nas crianças. (Ao final da postagem,  deixo o link para o trailer do vídeo).
Ou seja, pontuou Freitas, nada indica que a adoção das estratégias americanas tem apontado que são boas políticas educacionais. Mas essa é uma luta com forcas poderosas que mobilizam bilhões de dólares. E são essas industrias que tem defendido essas mudanças. Elas estavam presentes nos últimos seminários do Ministério de Estratégia e Planejamento do governo federal, na tentativa de vender esses testes de larga escala. Mas, para poder ser vendidos, esses testes precisam ser validados com uma grande amostragem. O que tem sido feito no Rio de Janeiro com uma amostra de 40 mil crianças. (A saber, o teste segue um viés comportamentalista marcante, como questões do tipo: a criança de uma ano é capaz de abrir uma porta? Segue determinados comandos, como pegar a bola quando solicitado?, e por aí vai...)
Luiz Carlos Freitas nos indagou na palestra, o porquê de não adotarmos outras lógicas de políticas educativas de países que tem sido bem sucedidos na formação das crianças pequenas. Citou a Itália, a Finlândia e, no caso latino americano,  o Uruguai. Países, que tem como principio a formação e a  confiança no corpo docente e a avaliação das instituições (e não das crianças) em seu contexto.
Os argumentos do Professor Luiz Carlos Freitas nos mostram que é urgente que nos mobilizemos contra essas políticas que desconsideram a criança e seus direitos, criando expectativas e indicadores de desenvolvimento que não as consideram enquanto sujeitos de saberes. As testagens das crianças provocam expectativas quanto à seu desenvolvimento. Essas expectativas, por sua vez, criam padrões de comportamentos que geram um modelo de currículo para infância. E as crianças ou instituições  que não se encaixam precisam de intervenções de especialistas, o que aumenta a demanda para uma indústria de consultoria e apostilamentos.
Em sua fala, a professora Maria Letícia do Nascimento retomou sua entrevista realizada para o Observatório da Educação. A entrevista nos ajuda a entender melhor esse processo e os perigos trazidos por ele para nossas crianças e instituições.Link para a entrevista: http://primeirainfancia.org.br/?p=6555
O Fórum Paulista de Educação Infantil tem se mobilizado contra isso. Para conhecer como podemos ajudá-los nessa luta, segue o blog:http://fpeicrianca.blogspot.com/
Em breve, haverá um abaixo assinado a respeito assunto e conto com a assinatura de vocês. Além disso, precisamos debater o assunto em nossos espaços educativos. Quem tiver mais sugestões de mobilização social esse é um espaço para isso.

Abraço MUITO preocupado!



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

II Encontro do Grupo de Estudos e Pesquisa Qualidade na Educação Infantil




Olá a todos e todas!
Na Faculdade Sumaré, faço parte da coordenação do Grupo de Estudos e Pesquisa Qualidade na Educação Infantil. 
Esse grupo de   estudos se constituiu em setembro de 2010 e tem como foco a discussão da qualidade nas instituições da infância. Para essa reflexão, temos nos baseado no livro de Peter Moss, Gunilla Dahlberg e Alan Pence, intitulado Qualidade na Educação da Primeira Infância: perspectivas pós-modernas. da Artmed. Também já estudamos detalhadamente os Indicadores e os Parâmetros de Qualidade, bem como a pesquisa coordenada pela professora Maria Malta Campos pela Fundaçnao Carlos Chagas intitulada: Consulta sobre Qualidade na Educação Infantil. 
Nos reunimos todas as quartas-feiras, das 13h30 as 16h30, na sede da Faculdade Sumaré - 6o. andar. Aqueles que se interessarem em participar é só enviar um email para jvmoraes@sumare.edu.br
 
No dia 09 de novembro (quarta-feira), o grupo irá realizar o II Encontro Aberto. Como o próprio nome aponta, trata-se de um evento ampliado à participação de todos os interessados no tema a ser discutido. Esse mês a discussão será: "A organização de espaços e tempos em CEIs que garantem os direitos da criança".
Para discuti-lo, haverá a apresentação de trabalho de dois Centros de Educação Infantil públicos e diretos da Cidade de São Paulo e a mediação da Prof. Ana Maria Mello.  
    O horário será das 13h30 as 16h30, na sede da Faculdade Sumaré - Rua Capote Valente, 1121 - ao lado do Metrô Sumaré.
Inscrições no email acima com nome completo e RG.
Espero vocês lá!
 Abraço!

Ps: Para quem se interessar em conhecer mais sobre o trabalho do grupo é só acessar nosso blog:http://gepeducacaoinfantil.blogspot.com/