segunda-feira, 13 de maio de 2013

Fórum Municipal de Educação Infantil na Câmara Municipal de São Paulo

Olá a todas e todos,
Semana passada o FEMEISP - Fórum Municipal de Educação Infantil apresentou suas propostas para a Educação Infantil da cidade de São Paulo na Comissão de Educação da Câmara dos vereadores de São Paulo.
Após uma rápida explanação, conduzida por mim e por outras participantes do FEMEISP, os vereadores se comprometeram a realizar um seminário, organizado pela comissão e pelo Fórum, para discutir e debater mais profundamente sobre a educação infantil na cidade de São Paulo.
Abaixo, seguem as fotos da apresentação e a ata da reunião da comissão.

Acredito na importância de fóruns e demais associações na luta coletiva para a defesa dos direitos das crianças e desejo que mais gente se junte a essa luta. Para saber mais sobre o trabalho do Fórum, é só entrar no site: www.femeisp.org
Dia 06/06,às 14h teremos a próxima Assembléia na Biblioteca Monteiro Lobato. Participem!!!

Abraço carinhoso!

Link para a ata da reunião: http://www.docidadesp.imprensaoficial.com.br/RenderizadorPDF.aspx?ClipID=0KUVGM1NFFB51e6GLF1VEH650BU











domingo, 5 de maio de 2013

Rotina na Educação Infantil

Olá a todas e todos!

Na edição de abril da revista Ei - Educação Infantil, da editora segmento saiu uma entrevista minha sobre a rotina. Já está nas bancas para quem quiser ler a reportagem na íntegra. Mas aproveito para trazer para vocês algumas reflexões sobre o tema.





A rotina é importante, ela é o alicerce da criança. Quanto menores de idade, mais estável a rotina precisa ser. As crianças antecipam o que farão e tem mais segurança em suas tentativas. Não saber o que vai acontecer reduz a autonomia, porque a criança vai sempre perguntar ao adulto: o que faremos agora? O que vai ser?  Além disso, a rotina não quer dizer  necessariamente repetição, elas tem oportunidade de testar suas habilidades, tentar de novo o que havia iniciado antes, reorganizar e reviver experiências. O problema não está na idéia de rotina em si, mas em desconsiderar a singularidade dos sujeitos e tratá-los homogeneamente. Ter rotina não quer dizer fazer sempre tudo junto.
“Todo mundo faz a mesma coisa ao mesmo tempo o tempo todo”. As instituições educacionais são muito marcadas por essa idéia. E naquelas destinadas a educação da criança pequena isso nem sempre é muito diferente. Todos dormem, comem, vão ao banheiro, desenham, esperam para fazer algo sempre juntas.
Mas como conciliar tempos diversos em uma instituição que é essencialmente coletiva? Esse é um grande desafio dos educadores da infância e que para respondê-lo, há algumas reflexões anteriores que precisam ser feitas. A primeira reflexão que acho importante pontuar se refere ao papel da educação infantil e sua especificidade. Estamos falando de crianças pequenas, que estão construindo sua personalidade e se percebendo enquanto sujeitos singulares, que tem necessidades, desejos, vontades e recusas, que pensam o mundo e atribuem sentido a ele, a partir das experiências que vivenciam. Aí reside o principal papel do educador da infância que é o cuidado educativo (ou cuidar/educar indissociável que se fala tanto!). Cuidar/educar refere-se a estar atento as necessidades, desejos e inquietações das crianças em todas as suas dimensões (afetiva, cognitiva, motora,...); também quer dizer garantir a proteção, segurança e bem estar das crianças e, organizar ambientes que estimulem sua imaginação e agucem sua curiosidade.
Isso exige um educador que seja um intérprete das manifestações crianças (já que nem todas conseguem verbalizar oralmente essas necessidades), que consiga ter uma escuta atenta e sensível à elas. Incorporar esse princípio que vem sendo recorrentemente enfatizado em quase todos os documentos oficiais é o primeiro desafio! Ainda há um ideário muito forte de que ser professor é dar lições, controlar a turma e garantir a disciplina (entendida como todos em silêncio) e isso se revela com muita intensidade nas práticas e na organização do tempo e espaço de muitas instituições, que valorizam as  chamadas “atividades pedagógicas” como mais nobres e não consideram a dimensão integral que a formação da criança pequena exige.
O modo como compreendemos nosso papel como educadores da infância, como vemos as crianças se  revela na organização dos espaços e tempos na instituição. Por isso que para realizar essa organização, é preciso refletir profundamente sobre isso.
Mas ainda que tenhamos clareza dessa especificidade, o desafio ainda permanece. Novamente a mesma pergunta: Como conciliar tempos diversos em uma instituição que é essencialmente coletiva?
Daí proponho uma segunda reflexão: O professor da infância não precisa ser o centralizador de tudo, as crianças não aprendem apenas a partir de sua palavra e de sua intervenção direta. Interessante que sempre que peço para  que meus alunos da graduação em Pedagogia planejem uma seqüência de atividades com as crianças, a maioria das propostas estão centralizadas na fala do professor: é ele que comanda o tempo todo.
Organizar espaços (cantos) em que as crianças possam se organizar em pequenos grupos, ficar sozinhas quando sentirem necessidade (principalmente, em instituições de período integral, o atendimento a essa necessidade precisa ser garantida) é fundamental. Quando estão concentradas nesses cantos, elas não necessitam da atenção constante do professor, que pode se concentrar em algumas crianças por vez de modo a conhecê-las mais profundamente.  Por isso, é preciso prever cotidianamante tempo para que as crianças possam trabalhar em diferentes agrupamentos, com espaços desafiadores.
A hora do sono é um momento interessante para perceber como estão sendo garantidas as singularidades das crianças. Muitas crianças precisam dormir durante o dia, nosso corpo precisa de descanso e as crianças que estão vivendo muitas experiências intensamente, em geral, precisam desse tempo. Mas, como somos seres  dotados de singularidade, isso não é uma regra absoluta. Existem crianças que não tem necessidade de dormir à tarde e ficam o tempo todo durante a “hora do sono” acordada. Algumas “brigam” como sono, mas outras realmente não sentem necessidade de dormir e esse momento chega a ser torturante. Cabe o olhar sensível e investigativo do educador e da instituição para tentar entender a necessidade das crianças. Ao invés de tentar fazê-las dormir a qualquer custo, podem organizar um outro espaço para acolher essas crianças em outras atividades. Muitas instituições vem fazendo isso com muita tranqüilidade, há bastante tempo. Embora isso não seja tão fácil, uma vez que por falta de tempo de formação, algumas instituições optam por reunir seus educadores nesses momentos de maior “calmaria” na rotina, o que obviamente precisa ser repensado.
O maior desafio da educação infantil é inserir, de fato,  as crianças e suas necessidades no centro do processo educativo, como prega as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Alguns questionamentos que sempre faço são: A instituição é de fato voltada para as crianças ou é pensada para os adultos? Em que medida as crianças e suas singularidades tem sido contempladas? Como temos pensado sobre isso? Que momentos da rotina precisam efetivamente ser coletivos, no sentido que todos fazem algo juntos? E como contemplar a diversidade mesmo em momentos coletivos, como a hora do almoço, por exemplo, considerando que nem todos comem no mesmo ritmo? São várias as tentativas que muitas instituições vem fazendo, com diferentes propostas para enfrentar esses desafios. Queremos realmente enfrentá-lo? Cremos na criança como centro e na garantia de sua singularidade? O modo como respondemos a todas essas questões é que nos dará pistas sobre como organizamos, a partir dos nossos contextos, nossos tempos e espaços de convivência.








terça-feira, 30 de abril de 2013

"Tia, você dá tanta atividade! É pra gente ficar mais esperto ou pra ficar quieto?"

Olá a todas e todos!
Segue uma reflexão da Elvira Souza Lima a partir das falas das crianças e de como elas percebem as atividades que oferecemos à elas.



Na turma de 5 anos: "Tia, você dá tanta atividade! É pra gente ficar mais esperto ou pra ficar quieto?"
Na turma de 7 anos, aluno com 10 que até então não havia se apropriado da escrita e da matemática, caso de indisciplina crônica, digamos assim: " Tia, já sei porquê você dá este caderno azul, é que pra fazer não posso bagunçar, tem que pensar" (caderno azul é o Meu Caderno de Estudos que usamos em nosso projeto Escrita para Todos).
Mexendo nos meu diários de campo de pesquisa etnográfica me deparo com falas das crianças. Elas nos fazem refletir sobre o conceito de atividade. Atividade não é o contrário de estático, quando se trata de desenvolvimento humano. Muitas atividades resumem-se a colocar a pessoa em movimento, que podem ser inócuas no sentido de ampliar a experiência da pessoa. Atividades precisam ser experiências, de descoberta, de observação, de engajamento do sistema emocional. Ou seja, devem ser motivadoras. Atividades adequadas são aquelas que levam ao pensamento e à imaginação. Podem ser atividades que despertem humor e prazer. No currículo escolar ou na vida em família, a criança precisa ter oportunidades diárias de realizar atividades que ampliem sua experiência humana. Vivemos em um período histórico em que é crucial a reflexão dos adultos para decidir quais atividades proporcionar às crianças para garantir que elas realizem o que é essencial às várias idades da infância. Que não sejam atividades que até as próprias crianças suspeitem que são "para ficar quieto."




Abraço!

quinta-feira, 25 de abril de 2013





Olá pessoal,
Segue a dica de um site bem bacana que defende o direito de brincar das crianças. Ali vocês encontram vídeos de entrevistas com especialistas, comunidade e principalmente, com crianças sobre o tema. Também tem artigos sobre culturas infantis e brincadeiras e um acervo de fotos sobre o brincar na infância.

O título do projeto é "Memórias do futuro: Uma ação a favor da infância e do direito de brincar". Na verdade, trata-se de "uma pesquisa sobre a Cultura da Infância do Brasil através de um processo de sensibilização do olhar investigativo e criativo de jovens, educadores e crianças, em ações que se propagam em redes virtuais e presenciais estimulando a aproximação de gerações e a troca de conhecimentos e fazeres práticas relacionados ao brincar".

Querem saber mais? Segue o link: http://www.memoriasdofuturo.com.br/home

Abraço!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

"Desafios na formação continuada de diretores e coordenadores pedagógicos de educação infantil: análises a partir de uma proposta de formação"

Olá a todos e todas!

Eu e a Maria Aparecida Guedes Monção, acabamos de inserir nosso artigo: "Desafios na formação continuada de diretores e coordenadores pedagógicos de educação infantil: análises a partir de uma proposta de formação" no site do Pedagogia com a infância. 

Este artigo foi publicado nos anais do VI Congresso Paulista de Educação Infantil, que aconteceu no ano passado na Universidade de São Paulo.

Leiam abaixo a introdução. Para ler o artigo completo é só clicar no link: http://pedagogiacomainfancia.com/artigos/

Desafios na formação continuada de diretores e coordenadores pedagógicos de educação
infantil: análises a partir de uma proposta de formação

Eixo 3 – Identidades e formação docente

Janaína Vargas de Moraes Maudonnet
Maria Aparecida Guedes Monção

I - Introdução

O objetivo deste relato é  compartilhar nossas reflexões como formadoras de grupos de diretores e coordenadores pedagógico, em duas diretorias regionais de educação,  na rede municipal de educação infantil de São Paulo, em  um programa de formação de gestores promovido pela Secretaria Municipal de Educação durante o  ano de 2010.
Nesse ano, a proposta de formação da equipe gestora foi estruturada por meio da organização de grupos de trabalhos. Essa forma de organização, deu-se em função das avaliações dos diretores, coordenadores pedagógicos e formadores, que questionaram o modelo de formação  adotado nos anos anteriores,  com  temáticas diferentes a cada encontro,, pautas unificadas para toda a rede, que não  permitam aprofundamento teórico, articulação com as práticas cotidianas,   tampouco  consideravam a diversidade e a singularidade de cada região.
Os grupos de trabalho eram compostos por representantes de diferentes unidades educacionais – Centros de Educação Infantil (CEI) e Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) – com encontros mensais e tinham como foco refletir e pesquisar a partir de três âmbitos: relações entre os diferentes atores da U.E., relações com as famílias e comunidade, relações entre a dupla gestora – diretor e Coordenador Pedagógico[1].
Cada grupo escolhia o âmbito que desejava pesquisar a partir de uma situação problema comum aos integrantes. A partir da definição de um foco, os participantes observavam o cotidiano das instituições em que atuavam e elaboravam instrumentos de pesquisa que propiciasse uma observação mais aguçada, que subsidiasse novas práticas, articulando-as com um aprofundamento teórico[2] a respeito da temática estudada. Esses grupos de trabalho tinham como tarefa final a produção de um relato que retratasse as reflexões e o processo empreendido durante o ano[3]. No último encontro do ano, ocorreu um Seminário em que os diferentes grupos compartilharam seus textos refletindo coletivamente sobre os desafios e alternativas  para a efetivação de um projeto pedagógico democrático e centrado na criança.
A intenção ao apresentar essa experiência  é  contribuir com as discussões e estudos a respeito da formação continuada de gestores na educação infantil, para tanto organizamos o artigo em três partes. Primeiramente, apresentamos os desafios elencados pelos gestores em sua prática cotidiana, explicitados pelos grupos no Seminário de finalização da formação. Em seguida, são apresentadas algumas reflexões  a respeito da formação de gestores na educação infantil, suscitadas a partir dos relatos produzidos por esses profissionais. Na conclusão, discutimos a importância de metodologias de formação articuladas com as práticas vivenciadas e que tem como foco o envolvimento dos sujeitos no processo.


[1] Nesse artigo optamos por  abordar apenas as reflexões relativas as relações entre a equipe de profissionais.
[2] Os referenciais teóricos utilizados pelos grupos, foi pautado em um levantamento da literatura, realizados pelas formadoras que buscou contemplar autores relacionados as temáticas abordadas e que tivessem como principio a democratização das relações no contexto educativo, tais como: Vitor Paro, Paulo Freire, Maria Carmem Barbosa, José Pacheco, Madalena Freire, Adriano Bonomi, Sergio Spaggiari, Peter Moss, entre outros.  
[3] Os relatos produzidos pelos grupos de trabalhos, foram sistematizados em um livro digital e encaminhados as Unidades educacionais das duas regiões em que atuamos.