quarta-feira, 19 de maio de 2010

Adaptação ou acolhimento? Adaptação acolhedora


     A idéia de que as crianças se adaptam a instituição e que por isso basta deixá-las ali ainda é presente na fala e nas práticas de algumas instituições de educação infantil.
     Mas, ao questionar muitos adultos sobre sua adaptação na escola, os relatos de choro, medo, sensação de abandono são muito freqüentes. Ou seja, essa experiência para boa parte das pessoas foi algo que marcou negativamente.
    Assim, como criar um ambiente acolhedor em que as lembranças dos primeiros dias na instituição sejam além de prazerosas , possibilitadoras de grande aprendizado?
     Primeiramente precisamos considerar que o ambiente da instituição deve ser acolhedor para todos que nela convivem, crianças e adultos.
     Mas, o que significa acolher? Ao pensarmos nessa palavra, a idéia de hospitalidade, de querer que o outro se sinta bem em determinado lugar, nos vem em mente. Nesse sentido, acolher significa preocupar-se com o outro, ou seja, pré-ocupar-se do outro, planejar situações para o bem estar daquele que será acolhido.
     E no momento de adaptação inicial à instituição, todos devem ser acolhidos, porque todos estão se adaptando.
A criança, que passa por um momento importante de transição entre sua forma própria de viver a vida em casa para conviver em um espaço coletivo; as famílias, que muitas vezes se sentem inseguras sobre o tratamento que será dado a seus filhos e ao aprendizado que será promovido na instituição; e os educadores, que estão conhecendo novas histórias de crianças e famílias, as quais lidará durante o ano.
     Isso exige da instituição um olhar sensível a demanda de todos aqueles que estão passando por esse momento. E são as respostas a essas demandas que vão revelar a maturidade profissional da equipe.
Possibilitar que os pais fiquem com as crianças nos primeiros dias, que as crianças levem um objeto de casa com o qual se sintam seguras são algumas propostas interessantes para esse acolhimento. Existem várias outras mais e muitas instituições vem buscando caminhos interessantes e inovadores.
De qualquer maneira, é importante lembrar que esse momento não deve ser visto apenas para possibilitar que as crianças não passem por situações traumáticas. Ele é estratégico para que os vínculos de confiança entre crianças, famílias e profissionais se estabeleçam. Muitos relatos apontam que um período de acolhimento sensível e bem planejado possibilitou que as relações com as famílias das crianças fossem mais tranqüilas ao longo do ano. Daí a importância da instituição mostrar que tem um projeto educativo consciente e consistente para os seus filhos.
       Outro aspecto que não deve ser ignorado nesse momento, é a possibilidade de aprendizagem que esse período gera nas crianças. Ao perceber que o adulto considera os seus sentimentos e de seus colegas, que ela é valorizada em seus medos e inseguranças, a criança vai aprendendo a estabelecer uma relação mais humanizadora com as outras. E o contrario também é verdadeiro, ao observar que o choro é ignorado, que os sentimentos dela são negados, as relações desumanizadas passam a ser aprendidas.
      Por fim, esse período é de adaptação, mas uma adaptação acolhedora revela a todos os que estão ali envolvidos que eles são sujeitos que merecem consideração e respeito, o que é o principal principio para uma educação mais humanizada e pautada pelo direito de todos.

3 comentários:

  1. CARA JANAÍNA,
    Concordo plenamente com as suas reflexões sobre a importância do processo de adaptação. Costumo falar para a equipe que,de fato, a adaptação não é apenas da criança, mas sim de toda a escola: professores, pais, funcionários e deveria ser também dos "sistemas de ensino"! Um dos aspectos que vem nos preocupando nos Centros de Educação Infantil é a adaptação à merenda escolar. Se por um lado procuramos conhecer a criança com acolhimento e respeito pela sua história de vida (verificando junto à família a alimentação que ela faz em casa, possibilitando a amamentação, flexibilizando o cardápio nos primeiros dias de escola etc), por outro, na rede pública, nos esbarramos na rigidez de um Programa Alimentar que não prevê esse processo de adaptação e aprendizagem da criança. De um dia para o outro, se a criança completa a idade proposta pela instituição, ela troca a mamadeira pela caneca, a papinha pela comida sólida etc. Nesse sentido penso que essa é uma discussão que precisa ser suscitada por todos que pensam a educação infantil, pois sabemos que a alimentação tem efeitos para além dos aspectos nutricionais. Trata-se da formação de um sujeito que pode aprender a experimentar a vida e todos os seus sabores, fazendo as suas escolhas com consciência e segurança...ou apenas a engolir - garganta a baixo - tudo aquilo que lhe é imposto. Grata pelo espaço de diálogo que você possibilita em seu blog. Penso que esse seja um caminho!

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  2. Pois, é essa discussão é bastante pertinente em uma época que formam-se "educadores" ou melhor "tios" em massa.
    Quem são esses profissionais que trabalham com educação infantil? Qual sua formação? Será que algum dia estudaram o processo de desenvolvimento humano?
    Acredito que nós, brasileiros (principalmente professores) precisamos retomar ou melhor, repensar o verdadeiro conceito de educador e educação. Assim como a verdadeira função da escola.

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  3. Lidia rodrigues doa santos11 de junho de 2010 00:26

    Oi prô! acredito que temos que respeitar realmente os direitos das nossas crianças, e temos que acreditar que a função das escolas é fazer com que eles se sintam livres, porém com responsabilidade e deveres, sendo trabalhadados de acordo com suas fases.
    A infãncia é algo mágico e insubstituido, não podemos roubar algo tão precioso delas,pois temos que olhar para crianças como crianças para que assim ela se sinta acolhida e amada.
    Parabéns pelo seu trabalho, nós como futuros pedagogos precisamos pensar
    Um mero professor apenas aponta o caminho das estrelas;um professor de verdade ajuda a alcança-las.

    Lidia Vasconcelos

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