segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Homenagem a Fulvia Rosemberg na ANPED





Essa semana estou participando da ANPED – Associação Nacional de Pós-graduação em Educação em Florianópolis.
Um momento emocionante desse encontro foi a homenagem a Prof. Fúlvia Rosemberg, através uma mesa com pesquisadores que ressaltaram suas principais contribuições.
A pesquisadora Fúlvia é uma das mais importantes pesquisadoras da infância e militante pela garantia dos direitos da criança.  Uma inspiração para todos nós que lutamos em favor da infância.
Muitos documentos que hoje são referências para a área da Educação Infantil tem sua contribuição, entre eles, ressalto os “Critérios de Atendimento em Creche que respeitem os direitos das crianças”, escrito em parceria com a Prof. Maria Malta Campos.
Força, vigorosidade e rigorosidade teórica foram suas marcas. A luta contra as políticas das organizações multilaterais – UNESCO, OEI, Banco Mundial entre outras – de “politicas pobres para crianças pobres” foi um de seus legados. Através de uma rigorosidade de levantamentos quantitativos, a professora combateu discursos que discriminavam e discriminam bebês e crianças, meninos e meninas pobres e negros.

Alguns conceitos foram fundamentais em sua produção teórica e foram resgatados na fala do Prof. Paulo Vinicius Baptista da Silva da UFPR:

Adultocentrismo: mundo centrado no adulto, através de desigual distribuição do poder constituído para e em torno do adulto. Criança vista como um vir a ser, como potencialidade e promessa e não como alguém que é sujeito.

Relações não sincrônicas: Complexidade e contradições entre as desigualdades de gênero, raça, classe e etária. Os movimentos sociais não desenvolvem necessariamente a mesma sincronia de consciência de classe, gênero e raça. Movimentos, na luta por suas pautas, omitem outras desigualdades, em especial, aquelas relacionadas às crianças (adultocentrismo).
As desigualdades se dão em planos materiais e simbólicos e sua compreensão é fundamental para a combatermos.

Branquidade normativa: Branquidade é considerada condição “normal” da humanidade, nesse sentido não branco é exceção. Branquidade paradigmática que se revela nas produções literárias para as crianças e que precisa ser combatida.

Esses são alguns conceitos que marcam sua luta incansável contra a desigualdade e a injustiça, em especial vivida pelos bebês e crianças pequenas negras e pobres.

Durante o encontro uma longa entrevista com Fúlvia Rosemberg sobre sua trajetória foi apresentada. Nessa entrevista, a  pesquisadora falou das marcas das desigualdades observadas na sua infância e como essas experiências foram fundamentais para sua trajetória militante; tratou do papel da teoria – enquanto lugar de sustentação do empírico, do observado, do vivido; reafirmou sua defesa da educação infantil e em especial do segmento creches: “Sou crecheira”, afirmou ela.  

Fica a provocação de Fúlvia Rosemberg: Qual nossa lealdade? Para mim, pessoalmente, essa é uma provocação constante.
Hoje a tarde tem mais homenagens: que suas idéias nos inspirem na luta!!!


Abraço!

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