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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sobre bebês

Olá pessoal,
A pedagogia tem se debruçado mais sobre a especificidade da educação e o cuidado dos bebês nos últimos anos. 
É importante que nos aproximemos dessa especificidade e que percebamos que, apesar dela, há elementos importantes na educação dos bebês que precisam ser incorporados também na educação das crianças maiores: a escuta das manifestações não apenas verbais; a construção da autonomia, que precisa ser apoiada não só nas crianças bem pequenininhas; o aprendizado das práticas sociais como comer, banhar-se, lavar as mãos, acolher e ser acolhido, entre outras; o lúdico como processo de aprendizagem primordial da infância.

Fica a dica de um curso sobre bebês promovido pelo Instituto Pikler-Lóczy.


domingo, 20 de janeiro de 2013

A importância do toque para os bebês: entre luvas e mãos

Olá pessoal!
Uma reflexão realizada pela enfermeira/ educadora Damaris Maranhão causou algumas polêmicas no facebook esses dias. A partir dessa postagem iniciou-se uma discussão sobre o uso das luvas na troca de fraldas dos bebês nas instituições de educação infantil.
Aproveitando o tema, gostaria de refletir um pouco sobre isso. 
Muitos defensores das luvas descartáveis argumentam a proteção que esse equipamento fornece a crianças e adultos. Concordo que a proteção é essencial, ainda mais em um ambiente coletivo como aquele que atende dezenas de crianças. Mas uma boa lavagem das mãos entre uma troca e outra fornece também proteção e é preciso levar em conta que   o toque para os bebês é fundamental para a constituição deles como sujeitos. 

No site da rede psi tem um artigo muito interessante sobe o tema, que eu reproduzo aqui em partes. Quem quiser ler na integra, é só acessar: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=411



O contato de pele com pele tem a possibilidade de transmitir várias mensagens ao outro, sobre como estamos nos sentindo. Os neurotransmissores e nervos levam até o sistema nervoso central a “mensagem enviada” (através do toque) e este (o sistema nervoso central) modula, por meio dos próprios neurotransmissores e nervos e, das células imunitárias cutâneas, o estado da pele.

Como para o bebê, no seu início de vida, seu mundo está limitado às suas necessidades corporais, a mãe* deve lidar com ele em uma linguagem que este compreenda, assim, segundo Winnicott¹, “ela ama de um modo físico, proporciona contato, calor corporal, movimento e quietude de acordo com as necessidades do bebê” (Winnicott, 2000, p.237). Através disso é possível perceber a função essêncial que o toque terno e amoroso exerce na vida e no desenvolvimento do bebê. Este sente-se querido ou não em função do toque que recebe das pessoas que cuidam dele, e mais tarde, isso interferirá na sua visão de si mesmo, nas suas relações interpessoais, na sua auto estima, entre outras coisas. 
 É importante atentar para a importância deste ato e deixar alguns preconceitos de lado. Mesmo com todos os estudos e orientações, muitos pesquisadores da atualidade ainda vêem a relação dos pais com seus filhos (no mundo ocidental de forma geral) sendo permeada pelo medo de que as crianças cresçam muito dependentes. Assim, muitos pais ainda pensam que pegar muito o bebê ou deixá-lo muito no colo pode, posteriormente levá-lo a ser uma criança manhosa e mimada. Em resposta a esse comportamento, os pesquisadores dizem que os pais estão no caminho errado: o contato físico e a segurança proporcionada por estes farão das crianças mais seguras no momento em que for necessário haver o afrouxamento dos laços entre elas e os pais, e mais capazes de formar relações maduras quando elas finalmente se tornarem adultas. 1-Donald Woods Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, desenvolveu um ponto de vista psicanalítico diferente do que se apoiava em sua época, a respeito do desenvolvimento dos bebês, e também uma outra forma de trabalhar com eles. 


Embora o artigo se diriga a mãe ou pais, no caso das instituições da infância, são as educadoras/es que passam a maior parte do tempo com os bebês e são elas/eles responsáveis por seus cuidados no tempo em que estão ali, portanto a mesma necessidade de toque é válida para esse relação.



A experiência de Lóczy, uma instituição da Hungria nos ajuda muito nessa discussão.  Fundada em 1946, no final da segunda guerra mundia, Loczy foi uma instituição criada para  acolher crianças órfãs e/ou abandonadas. Hoje é considerada uma referência mundial no cuidado de bebês em instituições educativas coletivas. Entre as premissas dessa instituição estão a segurança afetiva e a motricidade livre. Dentro da idéia de segurança afetiva, o contato físico, as ações repeitosas e os gestos delicados nos momentos de troca de fraldas  são fundamentais. Segue abaixo um vídeo com um exemplo de troca de fraldas realizada  em Loczy. Também indico o texto das Professoras Anita Freitas e Maria Helena Pelizon para quem quer conhecer mais sobre essa experiência http://www.sumare.edu.br/Arquivos/1/raes/05/raesed05_artigo02.pdf 









A troca de fraldas não pode ser encarada apenas como um cuidado físico das crianças, mas é um momento extremamente significativo, que envia poderosas mensagens aos bebês sobre quem eles são e como os vemos enquanto sujeitos. E o toque, o contato físico fazem parte dessa mensagem.
Abraço fraterno!


Texto da Professora Damaris Maranhão: 

A falsa proteção
Um exemplo que podemos problematizar aqui é o da frequente demanda dos professores para uso de luvas de procedimentos no processo de cuidado corporal da criança em creches e pre-escolas, sobretudo quando trocam fraldas ou banham as crianças. Em uma cena documentada em vídeo e problematizada conosco observa-se uma professora trocando uma criança de cerca de um ano de idade. Ant...es de retirar a fralda da criança ela pega uma luva que estava armazenada sobre uma prateleira próxima ao trocador e a veste, depois realiza o procedimento e a seguir retira a luva e a guarda no mesmo local. Qual o problema deste procedimento? Porque a professora utiliza este tipo de luva? Qual sua intencionalidade? Em primeiro lugar ela não lava as mãos antes de calçar as luvas. Em segundo lugar a luva é de modelo fabricada e comercializada como equipamento de proteção individual para serviços de higiene ambiental e não é descartável. Em quarto lugar ela retira a luva e a guarda com todos os micróbios que cresceram no interior dela durante o uso ( e que estavam dentro da própria luva já utilizada previamente por ela ou por outros educadores e também na superfície de sua mão) para uso posterior. Em quinto lugar ao fazê-lo ela contamina o seu antebraço e a superfície da mesa e o vestuário e sacola da criança. E o pior, ao invés de se proteger ela aumentou os riscos de exposição de si mesma aos micróbios e os disseminou no ambiente.
Em outro evento os professores discutiram inflamadamente ao serem informados sobre este risco de falsa proteção e ao final do evento vieram conversar individualmente comigo argumentando que o faziam porque na creche havia uma criança soropositiva para o HIV. O que nos leva a estranhar este comportamento é o fato deste argumento dos professores revelar desinformação que geram preconceitos relativos ao risco e mecanismos de transmissibilidade das doenças mais comuns na comunidade.
Parece-nos que o temor dos professores e o desconforto em cuidar de uma criança pequena, sobretudo em lidar com secreções humanas pode estar associado ao fato deles não terem sido formados para construir atitudes e procedimentos de cuidado humanos. Este fato pode torna-los mais vulneráveis as emoções que permeiam o processo de cuidar do corpo de outra pessoa.
Este pequeno texto tem como objetivo problematizar e contribuir com a formação continuada dos professores e outros profissionais de educação infantil. Qualquer semelhança é mera coincidência!
Damaris Gomes Maranhão - São Paulo, 17 de janeiro de 2013

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A falta de vagas para o atendimento de bebês

Olá Pessoal!
Reproduzo aqui uma reportagem da Folha de São Paulo datada de 15 de abril desse ano, que trata da falta de vagas para os bebês em creches públicas.

Abraço!

 ______________

  Faltam 12 mil creches para atender todas as crianças de 0 a 3 anos, aponta relatório

Ana Okada
Em São Paulo

Para que todas as crianças de 0 a 3 anos seja atendidas em creches seria necessária a construção de 12 mil novas unidades. A estimativa foi divulgada no relatório "Um Brasil para as crianças e os adolescentes", feito pela Fundação Abrinq e pela ONG Save the Children.
Atualmente, apenas 1,2 milhão de crianças frequentam creches -- há 11 milhões de indiivíduos nessa faixa etária. De 2005 a 2008 houve um crescimento de 23,8% de crianças atendidas.
Colocar a criança na creche é uma decisão da família. Mas, se os pais desejarem colocar seu filho, o governo precisa garantir a vaga. A responsabilidade por essa etapa é das prefeituras. Por causa da importância que essa fase do desenvolvimento da criança tem na vida escolar, o governo federal também está com programas no setor.
Uma das principais bandeiras de campanha da presidente Dilma Rousseff, o Proinfância, programa do governo federal para construção de creches e pré-escolas, não conseguiu cumprir a meta de convênios para 2010. Das 800 unidades previstas, apenas 628 foram autorizadas.
Em 2011, o objetivo é assinar mais que o dobro disso: 1,5 mil convênios, totalizando 6 mil até o final do mandato de Dilma.
Em São Paulo, a falta de vagas -- a prefeitura não consegue atender a demanda -- chegou à Justiça. A Promotoria de Justiça de Defesa dos Interesses Difusos e Coletivos da Infância e Juventude de São Paulo propôs ação civil pública contra o prefeito Gilberto Kassab pela falta de vagas em creches da cidade. O documento pede que o prefeito seja responsabilizado e condenado pelo déficit, com base na Lei de Improbidade.

Onde as crianças estão em creches

Dentre os matriculados, 47% são da região Sudeste. Em seguida, vêm Nordeste, com 24%; Sul, com 18%; Centro-Oeste, com 7%; e Norte, com 4%.
O projeto do próximo PNE (Plano Nacional da Educação) 2011-2020, que deve ser aprovado este ano, pede que, até 2020, 50% dessas crianças estejam matriculadas. No plano anterior, porém, já era previsto que 30% da população de até 3 anos fosse atendida.
No ensino de crianças de 4 a 6 anos, o relatório aponta o crescimento das matrículas de 2000 a 2008 de 25,8%. Assim como na outra etapa, a região Sudeste é a que tem mais matriculados (2.897.062), seguida pelo Nordeste (2.078.215).

Avanços

O estudo aponta a criação em 2006 do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) como um dos fatores que contribuiram para o aumento de matrículas na educação infantil.
Eles ressaltam, porém, que "é fundamental a articulação entre o governo federal e os governos estaduais e municipais, para que se garantam tanto o acesso quanto a qualidade da educação infantil".
O relatório tem, ainda, uma série de recomendações para esta etapa, tais como:
  • a expansão da oferta e cobertura da educação infantil, com prioridade às crianças de grupos tradicionalmente excluídos;
  • investimento na melhoria da gestão escolar, da qualidade do ensino e do fluxo escolar, bem como da valorização e qualificação dos profissionais desta etapa;
  • viabilizar recursos para a formação continuada;
  • ampliar investimento em materiais didáticos relevantes ao contexto local;
  • garantir e efetivar recursos do Fundeb para a ampliação e manutenção do desenvolvimento desta etapa;
  • consolidação do RCNEI (Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil), do Proinfância (Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil); e dos indicadores de qualidade da educação infantil, lançados em 2009, como um instrumento importante para monitorar e avaliar a qualidade do serviço prestado.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Babies - O filme

Olá pessoal!
Para quem ainda não ouviu falar, eu indico o filme Babies, realizado pelo francês Thomas Balmés.
Trata-se de um documentário que acompanha o primeiro ano de vida de quatro bebês de países distintos: Mongólia, Namibia, Estados Unidos e Japão. Nele podemos conhecer a vida de bebês em contextos diferentes, mas com algumas características tão comuns.
No link oficial do filme, você poderão conhecer melhor os bastidores, ver fotos dos bebês, baixar vídeos, entre outras opções.  http://focusfeatures.com/babies
Segue o trailer para aguçar a vontade de assistir.
Abraço!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Consulta Pública MEC

Olá a Todas e Todos!
Hoje divulgo para vocês os textos disponibilizados no site do MEC para Consulta Pública.
Todos os textos foram escritos por pesquisadoras da área e discutem assuntos fundamentais como o  currículo para a educação infantil, as múltiplas linguagens e o trabalho com os bebês.
Segue abaixo a relação dos textos, com o link para quem quiser acessar. Ao final segue o link do Ministério da Educação.
Abraços!

O currículo na Educação Infantil: o que propõem as novas Diretrizes Nacionais?
Zilma de Moraes Ramos de Oliveira

As especificidades da ação pedagógica com os bebês.
Maria Carmen Silveira Barbosa

Brinquedos e brincadeiras na Educação Infantil
Tizuko Morchida Kishimoto

Relações entre crianças e adultos na Educação Infantil
Iza Rodrigues da Luz

Saúde e bem estar das crianças: uma meta para educadores infantis em parceria com familiares e profissionais de saúde.
Damaris Gomes Maranhão

Múltiplas linguagens de meninos e meninas no cotidiano da Educação Infantil
Márcia Gobbi

A linguagem escrita e o direito à educação na primeira infância
Mônica Correia Baptista

As crianças e o conhecimento matemático: experiências de exploração e ampliação de conceitos e relações matemáticas
Priscila Monteiro

Crianças da natureza
Léa Tiriba

Orientações curriculares para a Educação Infantil no Campo
Ana Paula Soares da Silva

Avaliações e transições na Educação Infantil
Hilda Micarello

Link MEC:
http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=1096&id=15860&option=com_content&view=article

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O que fazer com os bebês?

      Olá a todas e todos!

      O trabalho com os bebês é um desafio para nós educadoras da infância. O que fazer com eles? Que trabalho “pedagógico” pode ser desenvolvido com crianças tão pequenas?

    Acredito que o maior desafio de trabalhar com os pequenos está em redefinir o papel de professora. Quando pensamos em professor, pensamos em escola, e pensar em escola, muitas vezes, traz a idéia de dar aulas, apresentar conteúdos temáticos, solicitar registros sistematizado dos alunos. E muitos se perguntam: como fazer isso com bebês?

     No livro, Educação Infantil: Saberes e Fazeres na Formação de Professores, organizado por Luciana Ostetto, alunas do curso de pedagogia da Universidade Federal de Santa Catarina se perguntaram isso e descrevem suas práticas de estágio em um berçario de uma instituição de educação infantil. Em um texto belissímo, intitulado: “Como ser professora de bebês”, Andressa Celis Souza e Vanilda Weiss descrevem como foi “encarar” a idéia de que a elas ficou destinado estagiar no berçario. As angústias, dificuldades, prazeres e descobertas são relatados ali de uma forma muito verdadeira e aberta.


      No texto, elas contam que a primeira “atividade” oferecida às crianças de 8 meses a dois anos foi pintar, com tinta, flores previamente recortadas por elas para enfeitar a instituição por ocasião da primavera. As crianças se interessaram muito mais pela experiência de sentir a tinta, tocar, esparramar, do que pela realização da comanda dada pelas educadoras. Essa experiência possibilitou que as estagiárias percebessem que outro encaminhamento era necessário. Assim, em um segundo momento ofereceram novamente a tinta as crianças, mas dessa vez em uma exploração muito mais livre e cheia de sentidos.

      Explorar diferentes tipos de texturas, tintas, ouvir histórias, músicas, brincos e acalantos são algumas possbilidades interessantes a serem oferecidas aos bebês, mas o modo de conduzi-las exige que nós, educadores da infãncia, nos despreendamos do carater rígido e instrucional que está por trás do nosso imaginário de escola.

     Outro ponto que gostaria de ressaltar nessa reflexão é o aprendizado relativo ao cuidado de si, tão importante nessa faixa etária.

      No livro,  Educar os três primeiros anos: a experiência de Loczy, organizado por Judith Falk, no capítulo initulado: "A participação da criança no cuidado de seu corpo”, escrito por Katalin Hevesi, há exemplos de práticas que demonstram o quanto uma troca de fraldas/ roupa pode gerar diferentes aprendizados dependendo da maneira como é conduzida.

      Em um dos exemplos, Katalin cita uma educadora que ao fazer essa troca, entrega um objeto para a criança se distrair para que essa atividade seja mais rápida. Mas, ao pedir que a criança colabore com a troca em alguns momentos, a educadora acaba tendo dificuldades e sendo autoritária na solicitação à criança. Neste exemplo, cita a autora, a criança é tratada como objeto e é somente considerada quando a educadora precisa de sua ajuda.

     Em contrapartida, outra prática é citada. Nela, outra educadora, desde o início da troca estabelece uma intensa relação com a criança conversando sempre com ela, informando o que está fazendo. Essa educadora solicita sua colaboração e espera pacientemente que ela responda a essa solicitação. Pode parecer uma atitude simples, mas é cheia de significados. A segunda educadora considera a criança e a trata como sujeito nessa relação e sua atitude faz com que a criança perceba isso.

    Na mesma linha, o vídeo “Jardim da Infância Nokken”, que trata de uma escola em Copenhagen na Dinamarca, baseada nos princípios da Pedagogia Waldorf, demonstra uma relação muito bem estabelecida entre o cuidar e educar nas mínimas ações das professoras. São atitudes que vão propiciando que as crianças se desafiem, mas com a segurança de quem tem um educador que as cuida (no sentido de as apoiar e possibilitar que elas tenham contato com diferentes experiências). Fica o convite para que assistam.

      Finalizando, trabalhar com os bebês exige sensibilidade, mas também muito conhecimento: conhecimento das possibilidades de trabalho com eles, conhecimento do desenvovimento infantil e principalmente conhecimento de como conhecer melhor cada um deles para podermos desafiá-los e promover melhores aprendizados.

    Abraço!